A cor da rua em baixíssima saturação

A cor da rua em baixíssima saturação o vento corre gelado pelo meu rosto as folhas abandonam a copa das árvores atrasadas demais para partir dão adeus por puro impulso. Não é muito clara a divisão da rua e da calçada. Eu ando na rua. Ao meu lado anda meu passado de múltiplas faces. Me assombra. As ruas bem vazias e por vezes cheias de mais. Ninguém. E então são muitas pessoas que andam no sentido contrário ao meu. Tudo que passa vai de encontro à mim estou sempre no sentido contrário de tudo as pessoas as folhas o vento. Ao meu lado apenas o passado sou a única que caminha para frente ou estou indo para trás? Ninguém se toca embora aqueles dois lá no fundo estão se tocando você viu pergunto ao passado. Sinto pavor. O passado é uma criatura inóspita de múltiplas faces que toca o meu corpo crua e intimamente. Odeio que me toquem. Quando há pessoas há sempre pessoas em fluxo não param embora agora uma parou. Um homem vestindo as roupas da minha avó ou a minha avó vestida de roupas de homem não pude notar a diferença. Passo por ela quase a esbarro sinto pavor muito pavor por favor não me toca. Ele ri de mim fita à mim e ao passado com olhos delirantes como se eu fosse a única que não soubesse o segredo. A rua vazia novamente alívio agora somente eu e passado persistimos. Barulho. Olho para o lado. Um palhaço. Odeio palhaços. É um homem que acabou de ter filho está trabalhando como palhaço para sustentar a família. Mando um beijo. Continuo odiando palhaços. Várias crianças se aglomeram em volta dele. O passado pega na minha mão eu digo: por favor se você me abandonar que seja no momento em que eu estiver distraída. 

Giovanna Paiva

Manga Régia toca “Primavera” de José Miguel Wisnik

Manga Régia é o Núcleo Musical da Santa Cia. e neste momento de quarentena está preparando algumas canções autorais e covers para compartilhar com todes. Neste primeiro vídeo produzido no período de isolamento a banda interpreta a música Primavera de José Miguel Wisnik que está presente no espetáculo rito-manifesto Cora Primavera. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Tubaína, sempre Tubaína

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. Como resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Arthur de Oliveira investiga o absurdo em Tubaína, sempre Tubaina. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Mada-me do Apocalipse #3

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. COmo resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Mada Rocco em mais uma de suas performances apocalípticas de Mada-me do Apocalipse. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Mada-me do Apocalipse #2

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. COmo resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Mada Rocco em mais uma de suas performances apocalípticas de Mada-me do Apocalipse. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Caravana de Histórias

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. COmo resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Malaika Cipriano em sua Caravana de Histórias nos conta o encontro da Deusa Baubo com a Deusa Deméter. Evoé!

Leitura Viva: Entre Quatro Paredes de Jean Paul Sartre

O Leitura Viva é um programa do bemdita! o podcast da Santa Cia que se propõe a transmitir rádio peças nas viradas de estações do ano. Neste inverno quarentenado de 2020 o espetáculo escolhido é Entre Quatro Paredes, escrito pelo filósofo e dramaturgo Jean Paul Sartre em 1944. O espetáculo compõe o período do Teatro Existencialista. Evoé!