Pílula Poética de julho será dedicada a Hilda Hilst

A segunda edição do pílula poética no bemdita! será lançada no dia 14 de julho e é dedicada à Hilda Hist, mulher de poesia imensa que questionava a todos.

Hilda nasceu em 1930, escritora paulistana que contribuiu imensamente para diversos setores da arte. Publicando crônicas, poesias, poemas e textos dramatúrgicos como Fluxo-Floema, O novo sistema, Júbilo, memória, noviciado da paixão entre outras obras de grande importância para a literatura brasileira.

Aos vinte anos Hilda já lançava seu primeiro livro Presságio, mas é em 1962 que se dedica exclusivamente à literatura, isolando-se numa casa de campo a onze quilômetros de campinas, São Paulo, com a idéia fundamentada pela leitura de Carta a El Greco, de Nikos Kazantzakis  em que Nikos afirma que, somente se chega ao pleno conhecimento com o isolamento do mundo, ou seja, a dedicação total a determinado fazer.

A partir daí, Hilda Hist é cada vez mais reconhecida como fundamental para se entender não somente, o contexto da época que vivia como os atravessamentos possíveis a uma mulher que sempre esteve à frente de seu tempo. A poesia de Hilda nos faz brilhar os olhos e perpassa em cada sujeito que se dispõe a conhecer a obra. Artista gigante de uma entrega sem fim, Hilda transforma a dor, os males e as alegrias da vida em um verdadeiro mergulho dentro de si. É importante lembrar: tu não te moves de ti.

É assim que lançamos a segunda pílula poética do bemdita!, com a leitura de textos de Hilda Hist pelas mulheres dessa companhia imersas em poesia. Episódio forte e intenso como era a poetisa. Escolha um momento e se permita conhecer e rever a obra, afinal, nunca é demais falar, repetir e mergulhar nos textos da brasileira.

Viva Hilda Hist!
Evoé

Por Amanda Amaral

Conheça um pouco mais da vida e obra de Hilda

A cor da rua em baixíssima saturação

A cor da rua em baixíssima saturação o vento corre gelado pelo meu rosto as folhas abandonam a copa das árvores atrasadas demais para partir dão adeus por puro impulso. Não é muito clara a divisão da rua e da calçada. Eu ando na rua. Ao meu lado anda meu passado de múltiplas faces. Me assombra. As ruas bem vazias e por vezes cheias de mais. Ninguém. E então são muitas pessoas que andam no sentido contrário ao meu. Tudo que passa vai de encontro à mim estou sempre no sentido contrário de tudo as pessoas as folhas o vento. Ao meu lado apenas o passado sou a única que caminha para frente ou estou indo para trás? Ninguém se toca embora aqueles dois lá no fundo estão se tocando você viu pergunto ao passado. Sinto pavor. O passado é uma criatura inóspita de múltiplas faces que toca o meu corpo crua e intimamente. Odeio que me toquem. Quando há pessoas há sempre pessoas em fluxo não param embora agora uma parou. Um homem vestindo as roupas da minha avó ou a minha avó vestida de roupas de homem não pude notar a diferença. Passo por ela quase a esbarro sinto pavor muito pavor por favor não me toca. Ele ri de mim fita à mim e ao passado com olhos delirantes como se eu fosse a única que não soubesse o segredo. A rua vazia novamente alívio agora somente eu e passado persistimos. Barulho. Olho para o lado. Um palhaço. Odeio palhaços. É um homem que acabou de ter filho está trabalhando como palhaço para sustentar a família. Mando um beijo. Continuo odiando palhaços. Várias crianças se aglomeram em volta dele. O passado pega na minha mão eu digo: por favor se você me abandonar que seja no momento em que eu estiver distraída. 

Giovanna Paiva

Manga Régia toca “Primavera” de José Miguel Wisnik

Manga Régia é o Núcleo Musical da Santa Cia. e neste momento de quarentena está preparando algumas canções autorais e covers para compartilhar com todes. Neste primeiro vídeo produzido no período de isolamento a banda interpreta a música Primavera de José Miguel Wisnik que está presente no espetáculo rito-manifesto Cora Primavera. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Tubaína, sempre Tubaína

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. Como resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Arthur de Oliveira investiga o absurdo em Tubaína, sempre Tubaina. Evoé!

Pérolas de Quarentena: Mada-me do Apocalipse #2

Durante a quarentena do COVID-19 os atuadores da Santa Cia. estão pesquisando Teatro e Transmídia. COmo resultado, compartilhamos as Pérolas de Quarentena. Neste episódio, Mada Rocco em mais uma de suas performances apocalípticas de Mada-me do Apocalipse. Evoé!