Como criticar algo

Quatro meses pensando,
Sete horas se preparando,
Quinze minutos elaborando
E dez segundos para desistir.

Busco 
Vêem 
                          Qualidade
Onde 
          Não 
                  Tem.

Sinceridade-recalque.
Silêncio desonesto.

Será que ninguém vê?
O amor é cego.
                           Quem dera eu amar.


Vitória Fava
*em processo da Antropofrei

De uma Original e um Metrô

Um beijo inocenteCresce

Cria vida uma cria 
Da inocência

Pega, sente e desce

Dorme
Vê a nuvem de álcool

Cheira o bafo do tédio

E vira

           Chove

Escorre pelo corpo que anseia
Fode a buceta que atrai

Beija o lábio do inicio

E corre

Temendo 
                      A 

                                Razão

Vitória Fava

O passeio de uma vaca na praça

Você come carne?
Numa bandeja de prata
Só a sua.

Mas deve esperar o abate.
entregue pelo olhar
Eu prefiro viva.

É crime.
me comeu.
Que crime?

Maus tratos.
Socorro.
Mas eu vou te tratar bem.

Vão me levar para o matadouro.
A coleira está nas mãos dele
Já reservaram a sua carne?

Ela será vendida.
e no meu pescoço.
Então eu posso te comprar.

Se der tempo, sim.
Eles estão vindo.
Com certeza eu vou comprar.

E eu voltei, então,  para a segurança do matadouro.

Água fervente

Água fervente caiu em sua perna. Esqueceu do atraso, da fome e do cansaço. Se concentrou na dor que escorria pela carne já avermelhada.

Água fervente casou em seu corpo. Casou com o cigarro apagado no antebraço e com a marca do fogão onde esbarrou. Na marcha nupcial se ouvia o pedido de perdão de quem lhe servia o chá.

Água fervente passou por sua calça sintética. Na outra perna ainda tinha o furo que um baseado tinha feito num abraço desajeitado. O remendo malfeito parecia acompanhar o caminho da gota que escorria, com o olhar.

Água fervente caiu em sua perna. Na dor baseou uma conversa, um conto e uma distração para acompanhar o chá.

Vitória Fava