A Doce Alegria de Aramis dos Santos

Deixamos sementes e partimos.
Abraçamos árvores e nossos filhos
Cantam a nossa canção para outros primos.
E quanto mais se anda mais se torcem os trilhos.

Anuncio no concurso de música
Que Viale de Lara nos deixou!
Mas sua música é eterna e única,
Fala de felicidade e da vida,
Em um devaneio de pessoa honesta (r)e querida,
Mesmo que tiros ou uma saia colorida
Desfechem o show.

A decência sempre foi a minha morte,
Comprovo-te se olhares nos meu olhos, colega.
Graças a Deus e a Deusa, a nossa verdade é cega.
Tudo isso é um sonho, se tiver a minha sorte.

Ele já tinha nos deixado e aceitado há muito tempo.
Procuro não culpar ninguém, mas pesar o meu lamento.
Mas ainda vivo a sua Santa Trindade, sua preocupação e seu sentimento.
Mas quem sofre são as pessoas que conheceram a sua insanidade.
E conheceram todos os tipos, a verdadeira felicidade.

Anuncio nesse concurso de música
Que Laramis nos deixou!
Mas sua música é eterna e única,
Fala de felicidade e da vida,
Em um devaneio de pessoa honesta (r)e querida,
Mesmo que tiros ou uma saia colorida
Desfechem o show.
No mesmo dia em que o palhaço chorou.

Viale de Lara

Cogito Malícia

Tens certeza de que a pessoa ao teu lado é confiável?
Deixaria todos os teus bens na proteção dela,
Sem ter medo de não perceber o chocalho da cascavel
Ou se deparar com um beco sem saída na sua favorita viela?
Aposto que não.

Aposto que tens medo do que esta pessoa é capaz
E do que faltas em satisfazê-la.
É pecado ignorar o que ela faz,
Mas pecas mesmo em não aceitar cogitou sobre um suspeito zelo, sequer.

Mas se a pessoa é completamente honesta,
Inocente és e também és tu,
Ela pois não duvida, logo confia em qualquer.
E quando sobre tu a resposta vier,
Mostrará na tira biscoito da sorte chinês que víbora é esta:
A serpente que és tu.

Rafael Abrahão

Era uma vez a música e o que se toca

Três notas juntas formam um acorde
Acorde para detalhes sentimentais tão específicos
Especifico cada um apenas com um leve torque
Ou com uma reposição desde que tenha sorte

Sinto saudade do tempo em que não se precisava repetir
Para ter sucesso era apenas tocar as pessoas
Onde elas escondem os sonhos, saudades e o que mais não quisessem repartir
E permitir seu próprio som chegar aonde ecoa
E soam soluços, angustia e felicidade

Estamos numa sexualidade imensurável
Quando não importa o que é, mas o que faz
Faz o animal tomar posse e esquecer Ravel
E ouvidos e mentes nunca mais tiveram paz.

Viale de Lara

Você tem consciência? Parte 1

Sabe quanto custam os seus dedos e os movimentos delicados que eles fazem?
Conhece os seus pensamentos? Sabe julgá-los sem ser condescendente?
Já se aventurou com honestidade? Sabe o preço a se pagar por isso?
Sabe o custo de um gesto de amor? Conhece-se suficientemente para diagnosticar quando agir fraternalmente?
Tem noção do seu tempo, da sua vida?
Se sim, não ignore quem está ao seu lado, mesmo se desconhecer, não importando onde está, porquê está e como está.

Se não estiver, ignore, ninguém se importa.
Viale de Lara

Der Zestörer oder der Schöpfer?

Eu decido o que quiser,
Mas não tenho alcance.
 Sou livre na fé, em teoria e no que fizer.
 Herdo a física e conhecimento,
 Mas sou biológico, o lance:
 Define a sorte, as emoções, o limite e talento.

*

Eu escolho destinos e modifico o que desejar,
Mas os resultados nunca serão certeiros.
 Tudo é móvel e desliza suavemente
 Por onde as minhas mãos passam.
 Todas as coisas e toda gente
 São controláveis por mim mesmo que façam
 O que quiser.
 Mas imperfeita é a troca injusta,
 E não resulta em determinado mas em outro qualquer.
 E mal se sabe o que cada ação custa.

*

A cada segundo que construo outro,
Mais pedaços da minha carne eu retiro.
 O que determino e cada pedaço de uma torre qe construo,
 Me fortalece no topo que possuo.
 Mas mesmo que a base seja larga,
 A velhice e as águas corroem e bloco por bloco,
 E retiro para preencher o topo e sa parte amarga.
 A cada um que descolo e recoloco,
 O sentido e a vida perdem o foco.

*

Se eu escolho, não decido,
E se não decidir, nunca poderei escolher.
 Não sou mais qualificável como progenitor,
 Mas sim como sortudo aglomerado
 Que ruma fadado
 Ao próximo setor.

*

Mesmo que seja inqualificável,
É invalidável e acabará.
 Pois a eternidade é uma ilusão
 Que seria assistir a todos os desfechos,
 De maneira passiva e paradoxal pela exceção
 De quem assistir não ter fim,
 E de que passividade é ter nada afim
 E assim não se assistiria a nenhum trecho,
 Nem ao próprio.
Nunca existiu vida, morte, estupidez ou ócio.
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Viale de Lara

Foi exatamente como eu sonhei

Descia uma rua deserta e fria.
Estava bem quieto e nublado aquele dia.
Ao mesmo tempo que havia ventos gelados,
Não havia alguma brisa e o ar estava estático.
Estava tranquilo e caminhava com os pés molhados,
Prestes a atender o celular;
Prestes a atender um teorema mítico.
Escutava uma voz reconhecível sem relevar
O que revelava estressada pessoa,
E julgava a vida tão boa
De andar por ruas vazias e congeladas –
Algo que fazia por um motivo inquestionável.
Depois das risadas não houve mais nada
Que pudesse aquecer um ser em calçadas
Que descem ao desinteressante e inalcançável,
E que ficou no chão apesar de uma alma alada.
Ele voltou, contou, sem sucesso.
Interessante como sua força insuscetível tornou-o insusceptível.
E é claro que sua reação não teve excesso,
Sabia que sua missão impossível
Era fadada a falibilidade.
Acabou o sonho e acordei,
Logo eu saberia que tudo que eu sonhei
Foi exatamente como na realidade.

Viale de Lara

Era uma vez

Era uma vez,
um homem que acordava;
Tudo começou
quando ele acordou.

Todo mundo apoia
Quem cedo madruga…
Mas só quem entende.

Bem,
Talvez não seja tão poético,
Mas acordei… Simplesmente acordei.
Foi tão simples que nem esperanças tenho,
Mas as minhas fraquezas superei,
E é deste caminho que eu venho.

Viale de Lara

Saí da casa para olhar as estrelas, pois

Num momento de alegria,
Fez-se o silêncio
Pela falta que teria.
Suavidade da latência.

Quando se sabe que o mundo
É finito e não tem escrúpulo,
O que se sente é extremamente inato e profundo
E respira-se fundo mergulhado no crepúsculo.

É engraçada a semelhança entre isso e a vida,
Além de serem algo único,
É desconhecida.
Tudo isso não passa de mímica

De algo sóbrio.

Viale de Lara

Já se viu falando de amor para uma pedra?

E uma pedra falando de amor?

Uma pedra falou de arrependimento,
De tristeza sobre o passado,
De terra de outro momento
E de andar calado.

A voz muda prova o gosto,
O sabor fosco e fresco de se calar.
Porque enquanto se anda
Ama-se, e transforma de par em par.

Cansa o quanto o arrependimento pesa,
Enquanto é leve o carinho do amor.
Quando no purgatório se reza,
Não se torna nada além de ator:

Precisa ser feito quem, feito, precisa ser.

Se Deus nos modelou, por quê não, renascer?

Jogou-se no mar. A pedra afundou e tornou-se parte de um escuro estrelar, onde abissal é raso, e profundo é o destino indeterminado.
Ou ela simplesmente flutuou. Já olhou por este lado? Não é por acaso, que pedras flutuam, falam e fazem poesia. Elas são assim porque queria.

Viale de Lara

 

Beleza e Ferocidade

As emoções são coisinhas complicadas,
Nunca as escute!
Louco és tu, quem escuta contos de fadas,
Que falhas ao provar coisas como chucrute.

Mas não deixe de alimentá-las.
Rica a vida de quem tem emoções!
Tudo chega em quantidade, aliás,
Faço poemas graças a elas.
Mas… Tome cuidado. Moções.

Sua vida corre perigo se não tomares rédeas,
As emoções são como os instintos,
Os contos de fadas, as Vitórias Régias:
Parece de verdade, que é chão,
Mas se pesada a decisão,
Sua falha tem meia chance de suceder, ou de ser extinto.

Arriscaria sua vida em uma emoção?
Num momento singelo de raiva ou ódio…
Se arrependeria de ter matado alguém,
Que morava em seu coração?
Num momento de alegria, algo sólido,
Deixaria de se preocupar e viveria como
Nunca teria vivido, nem mais ninguém?

Mas depois de uma vida vivida,
Só felicidade bastaria
Para poder desfrutar de paz,
Com orgulho de paletó e terno?
Esqueceria da pessoa vencida
Pelos sentimentos, E-S-Q-U-E-C-E-R-I-A?
“Ah… Oportunidades perdidas… Quanto tempo faz…?”
Não. E desfrutaria do local conhecido,
Mas de caminho esquecido,
Que é o inferno.

Viale de Lara