Lady Gaga não cabe em poesia

Um anjo caracol que voa
Pousa como uma ave de rapina
Numa mistura de Caetano com Valesca
Como bolos de brigadeiros verdes
Enquanto bate Eros e Shiva
O seu amor destrói para construir
Cremes que tiram rugas douradas
No amanhecer do anoitecer que desliza com os dedos de uma seda de guitarra Tako
O cu do capeta arde mais lá que cá
Chove no sol que apaga o fogo e fortalece a minha noite virgem
Mas a putarya sacrálica descabaça essa noite na distância da careca de um monge beneditino
Arde o meu olho que sai do forno recheado com doce de leite

Rafael Abrahão

O amanhã (14/9/15, 00:24)

De passos incertos
Medo
Do encontro parquenal
Medo
Do trabalho novo
Medo
Da rotina mecânica
Medo
O mundo mundano mundando na mundança

A caixinha do desconhecido
Posta no caos
Organizada no acaso
De 7 bilhões de andarilhos

Inter calado
Muitas vezes boicotado
Auto sabotagem
Bom e ruim
Duplo
Dionísio

Tem uma procissão
Tem uma manifestação
Trabalhadores máquinas exaustas

Novas conscientizações
Na contra mão
Novas alienações

Avanços nas manchetes:
Mulheres com direitos iguais
O amanhã de 2086

Retrocessos nas manchetes:
Crentes se reunem e derrubam a pauta gênero na educação
O amanhã de toda a eternidade
Até agora

Crianças cavalos e éguas de fazendas=
Bois no abatedouro
Zoofilia com poodles

Novas máquinas
Novas rotinas
Novos crentes
Na contra mão, repetição

Petições petições petições
O barco da revolução que naufraga
O retrocesso que avança na dianteira

Monogamias
Monoteísmos
Monotonias

Falta vermelho
Falta libido
Falta Dionísio

Para além da liberdade de expressão
Antes é fundamental
A LIBERDADE DE P E R S O N A L I D A D E !!!

Um dia o amanhã será livre
Libertino e devasso
Homens de saia e maquiagem
Governos anarquistas
Cada um sendo o que é
Com negros gordos transsexuais gays mulheres e pobres

Iguais

Por um amanhã onde o dinheiro não mate
Onde a nação seja livre dela mesma
O preconceito fora de moda
E os seres humanos
Antes de mais nada
H U M A N O S

Rafael Abrahão

Um pensamento

O pensamento é a bosta humana
As vezes salva
As vezes condena mais ainda
A fala verborrágica causa náusea
A reprodução de discurso é banal
A pifiedade de discurso orginal é assombrante
Só defende a minha causa quem faz parte dela?
Ahh pera né
A necessidade de discussão na discussão
É como uma reunião para marcar uma reunião
A confusão humana se da no pensamento
A fala confirma a confusão
Principalmente em dificuldade de expressão
Quando se desliga o cérebro na discussão
O que se ouve é apenas
A e i o u
Whiskas whiskas whiscas
Shroubles shroubles shroubles
Pensamento fala pensamento
Bosta merda bosta
Pensar em silencio e não falar é melhor
Faça poesia
Ninguém te corta no meio
Você se coloca com clareza
E não devora o outro de maneira pseudo antropófaga
Chega do discurso barato
Discurso barato é tipo carne
Parece que vai dar pé
Mas no final vira carne podre
Comida do verme

Viram só?
Todo o pensamento a cima
Não passou de merda e bosta
E vocês devoraram ele inteirinho
Lidem com a consciênciaPorque quando ela é criada
Não tem volta ou oração para o Deus verme ou o Deus bosta
Não vou entrar em religião
Esse assunto fica para outra bosta

Chega!
Não vou continuar
Porque essa bosta ta virando outra bosta

Rafael Abrahão

Roupão a vácuo

Sou uma pessoa vazia
Resumida a simples punheta
Do dia a dia

O dia passa devagar
O roupão já está todo esburacado
Me conservando no estado putrifado

Roupas não cabem nesse corpo
Cagar também não
Tudo que está aqui vai pro corvo

As esperanças na fumaça foram soltas
A partir daí sempre que caminhava
Vagando por aí
Todos me olhavam com cara de loucos

Claro
Um jovem de roupão
Com a face morta
Somada a rola balançando

Causa espanto

Coisas banais espantam
Ficar pelado espanta
Dar o cu espanta
Fumar cannabis espanta

Agora matar não espanta
Torturar é fichinha
Ameaçar é mole
A miséria virou normal

A humanidade está se corroendo
Preocupando-se com coisas
Que sinceramente, nem morrendo

Rafael Abrahão

O cheiro da cobra no mamão da pomba

Uma hora a pomba falou
Por uma hora ela falou
A pomba que era comida pelo marido
Canta como uma cadela gemendo

Cena forte
Yerma!
E toda aquela história
Que acontecia bem na minha frente
Me prendia muito

Mas em um momento me notei disperso
Outra maravilha puxou o meu foco
Não visual, mas oufativo
O cheiro que já não cheirava há um ano

Veio arrombando as minhas narinas
Como um pé chutando uma porta
Como um pinto arrancando as pregas
Como um sexo não consentido
Um estupro dentro da minha cara

Veio sem perguntar se podia
Em segundos trouxe tudo
Que me fez desprender da antiga vida
Saudade

Daquilo que ja tive
Daquela sensação
Daquela pessoa dupla
Não bipolar
Mas andrógeno

Aposto que encaixava certinho com você
Antes de Zeus nos separar
E você encontrar uma outra metade
De um quebra cabeça
Que nem quebrando a cabeça te pertence

Por que hoje em dia
Graças a nós
Ninguém pertence mais a ninguém!

Rafael Abrahão

Confusão encaracolada lúcida (20/7/15, 00:41)

Hoje em dia a vida
Perdeu a função do amor
E ganhou a função do empregador
Capitalista com rancor

Existem dias de dar presentes
Existe hora para ligar
Existe ignorância
Só não amar

Pés na bunda
Da empresa-amor
Todo dia
De maneiras onde o pudor

Merecia ser contemplado com a quebra do tabu

Nós temos que ser sinceros
Não amamos a um só
Existem vários níveis de amor
Basta entregar-se sem dó

E quando tentamos
Amar mais de um
Mas percebemos que estamos mais enrolados
Que um caracol?

Ai complica…

Sonho com um dia em que poderei
Experimentar a experiência que parece expirada
(Mas é aspirada)
De amar por inteiro alguém

Ou alguéns
Vide a necessidade momentânea

No momento
Tento ser monogâmico
Mesmo pau reto sendo sincero
E isso não nego
Falta uma conchinha
Falta uma foda matinal
Com alguém (ou alguéns)
Onde o famoso e glamuroso

“eu te amo”

Ultrapassa a ejaculação
Ereta e erótica

O amor é confuso
Como esse poema
Mas essa é graça
Deste dilema

Por mais confuso que seja
Se faz claro

Rafael Abrahão

Utopia tabuária (25/6/15, 23:39)

para Oswald, o Antropófago

Chega de história de carochas
Quero o real devorável
Para que eu possa devorar com respeito
Não me venha dizer via Chapeuzinho Vermelho
Para não confiar em estranhos

Estranhos por vezes são mais confiáveis
Que os confiáveis

Chega chega chega
Quero o real palpável
Não histórias imagináveis
Que me digam que vim da cegonha
Ou da sementinha do papai na mamãe

Eu vim da devoração do papai na mamãe
E da devoração inversa
Multiplamente gozoza
Da mamãe no papai

Eu vim do tabu inquebrável das crianças
Eu fumo o tabu saudável dos adultos
Ativamente cannabiário
Eu visto o tabu do europeu
Porque o indígena que morreu
Vestia apenas carcaça que hoje esta coberta

O dia que os tabus
Do nu cannabiário devorado
For, então, quebrado
Poderei bater no peito
E afirmar sem nenhum pudor
Que de fato:
“A alegria é a prova dos nove”!

Rafael Abrahão

Amor erótico

O amor será cantado
Sentido acaraciado
No orgasmo sugado
De caminhar no seu corpo

Evoéros ao amor
Já sei o que pensou
Quer rimar com a dor
Essa rima amasou

Se bem que de vez em quando dói
Porque o amor é assim tratado como estrume
Consome e corroí
Mas o amor não é chorume

Tem que ser livre
Abaixo a monogamia
Posso até mudar o timbre
Mas é podre essa mania

Quando Eros chegou
Toda a briga desarmonia e violência
Entre os deuses acabou
Para dar espaço ao amor
E esse meus caros, reinou

Rafael Abrahão

Flechada de Eros (8/6/15, 23:01)

Já tive muitos amigos
Que precisaram de drogas pesadas
Para ver uma entidade
Não preciso de tanto
Só vou num banquete oficinal

Quando vi Eros
O olhar correspondeu
Durante o discurso de Deuses
Humanos Semideuses, santidades e ralés
Eros me flechava com o olhar

Penetrou
Sugou
Intimou
Devotou
Doo

Atras do sofás dos Deuses
Eros e eu estávamos
Erotizando
Evoéros!!!

Mas Agatão chegou
Apagou o fogo
Segurou
Maior problema foi quando o vinho acabou
Com ele o banquete se foi

Como tudo vai figura
A de Eros ficou na lembrança desse banquete
Porque Erosator não é Eros
Mas sim …..

Rafael Abrahão

O herói (28/5/15,16:40)

Vem da mata pra cidade
Da cidade pra mata
Da mata para a praia
Ele conheceu tudo
Até os States

É bravo!
Mas sua bravura é fofa
Tem uma ternura que é foda
Criou 5 rebentos
2 dele e 3 dos dele

Falar besteira é com ele mesmo
Falando merda se aduba a vida
E que vida adubada tem o meu herói
Mas não só de merda

Talvez a vida dele tenha apenas 1%
De adubo baseada na bobagem

Também adubo a minha vida
Mas essa é adubada com muita coisa também
E será muito adubada ainda

Descobri o meu herói depois de 15 anos
Com o descobrimento dele
Descobri o que é o amor

O amor de um avô não se mede
E só existe porque esse herói existe
Palavras escritas aqui são incapazes
De colocar a minha admiração e meu carinho em cheque

Mas uma coisa é certa
Quando o herói transcender
Distribuirá o seu amor de tal forma
Que todos da Terra possam amar

Sem ele eu não sei o que é se preocupar
E terei de aprender de novo o que é amar

Rafael Abrahão