Seu falo me abençoa, então eu calo

Seu falo me abençoa, então eu calo
Mas a água que sai de ti não é benta 
E crer que é, considero o cerne de toda a desgraça 
Não como tua hóstia, não ajoelho em teus altares, não agradeço tuas graças
Não alcanço nada em tuas alças
Não odeio todos os homens, nem nada que o valha
Odeio aqueles que alastram o lastro
De guerras, mortes, violências 
Aqueles que içam seus mastros
Denominam-se mestres
Monstruosos coitados
Sei que de mim têm medo
Tenham mesmo
Porque enquanto blasfemam que vim de tua costela;
Como se fosse algo baixo
Dou risada no centro da igreja, olhando nos olhos dos anjos 
Porque até na calúnia que inventaram
Nós temos poder de nascer de um osso
Metamorfoses inatas
Nós brotamos em qualquer lugar 
E mesmo mortas te assombraremos
Eu não como tua hóstia, não ajoelho em teu altar, muito menos agradeço tuas graças
Eu dou risada da tua superioridade porca e falsa
Eu cuspo em teu crucifixo fálico
Eu te mato com meus próprios ossosEu não odeio todos os homens. Longe disso.

Maria Carolina Ito

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