Sacra Taça

Eu sou a voz dos loucos
Que ecoam no caos sonoro do silêncio
Eu nunca me calo

Deito só morrer
E mesmo assim tem gente
Que me quer pulando
Saracutiando
Dançando
Dando um drible na violência
Desse corpo sem cadência

Eu cheiro
Faço barulho
Sou visto
Mas evitam qualquer contato
Sabem que se olhar cruzar
A alma vai rebolar
A mente vai bambolear
O espírito vai tremer
E o corpo, foder

Mas mesmo assim evitam qualquer contato
Me confundem com capeta
Malagrado
Acham que em mim reside o pecado

Pobres e castas criaturas apáticas
BV’s do phoder
Carentes do vivo prazer
Evitam até me comprimentar
Acham que meu toque tiram DEUS do lugar

Mas vou expor aqui pra vocês,
O que eu sei:
os mais crentes são os mais atormentados

Sabem que meu beijo não dá paz
Que minha saliva é ácida e macia
Vibra na frequência da sacra orgya
Movimentando em uma roda de fogo
A queima do conceito de culpa
A queima da monocracia
A queima da esperança de um messias

O meu fogo
Bota Todas as criaturas livres de dogmas do corpo

Sou Dionísio
Jahonísio
Jesusnísio
Exunísio

Trago a minha luz vermelha
O sangue que promove a micareta
Um cigarrin pra fazer a cabeça
Abrindo os caminhos caretas

Venho
Para aquecer os corações com eletricidade
Pra acender a esperança de toda essa merda melada
E colocar em frenesi esses corpos de Baco!

O pecado está exilado corpo!
Foi queimado e dele nem cinzas restou!
Essa porra se acabou!

Rafael Abrahão

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