Surra do final de expediente

Hoje eu levei uma surra.
De um garotinho de quatro anos.
(M.) cuspiu em mim, me arranhou, me xingou, me mordeu e me chutou.
Porém, (M.) tem quatro anos.
E já encerra toda a complexidade da vida humana na sua pequena existência.
Sabe o quanto é difícil desapegar, o quanto é difícil ouvir um não e o quanto é difícil quando as coisas não saem como queremos.
No final, nos abraçamos.
Concordamos em saber o quanto é difícil.
(M.) tem quatro anos, eu? Vinte e sete.
Eu aprendo dele e ele aprende de mim.
Nos despedimos, os dois, mais calmos, e com a promessa de dias melhores.

por Rafael Pinheiro (Pinto)

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