HíBrIdo

Provisoriamente não cantaremos o amor.
Cantaremos essa vida mista de poesia e dor.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços.
Cantaremos essa vida que rompe os laços.
Por que, afinal, a morte? A morte é uma libertação, porque morrer é não precisar de outrem.

Mas a morte está dentro da vida. Morro totalmente? Não sei da vida. Sobrevivo-me? Continuo a viver. O Sonho? Mas o sonho está dentro da vida. Vivemos o sonho? Vivemos. Sonhamo-lo apenas? Morremos. E a morte está dentro da vida.

Cantaremos o terminal.
O incapaz.
O imóvel.
O estático.
O estado de choque.
Onde a única música presente é aquela que vem dos bips de suas máquinas que viverão mais que ele.

Porque, se você olhar para o centro do universo, existe frieza lá. Um vazio. No final das contas, o universo não se importa conosco. O tempo não se importa conosco.

É por este motivo que temos que cuidar um do outro.

por Rafael Drummond Pessoa Levithan Pinheiro (Pinto)

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