Gordura em copo

Gordura em copo d’agua não dissolve. Gema. Pra mim. No meu ouvido.
Tempestade em copo d’agua transborda. Clara. Podia ser seu nome.
Geme… Clara! Você se joga pra estourar essa prisão de casca. Casca
grossa e conteúdo insosso. Flutua feito pássaro morto e se estraga.
Magra e cega. Seu olho vê mas não vê enxerga mas não entende
compreende repreende desentende sem saber e grita não vai ter golpe
grita fora grita vai tomar no meio do seu cu seu filho da puta. Mas…
Nem lembra porquê. Sangue nos olhos, Clara. Você tem sangue nos olhos
e me desbrava. Me tenta me intenta sabor de… Menta. Esquenta. Mania
marrenta. E depois de toda a gritaria estapafúrdial você volta e…
Quebra! Morre. Na frente do puteiro de Deus. Adiantou, Clara? Adiantou
seu show? Acabou que virou mais uma, escarrada e pisada na frente de
uma igreja.

Bruno Panhoca

*em processo da Antropofrei

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