Chão

Chão no mar
o mar no chão
Mar de concreto
derretendo no sol de Sampã
que se esconde atrás de nuvens densas
carregadas
que nos chovem
enquanto pulsamos
pois sangue somos
água vermelha e volúvel
que agrupa e dissipa
no fundo
no raso
no meio
-sempre tem o meio-
na rua
no corpo
na mente

Chão, concreto e força
Os ventos de Iansã arrepiam corpos dançantes
pensantes
das putas, viados, travestis
Derretendo
Solidificando
Liquefando
Congelando
Condensando
Evaporando
numa mistura de transações
físicas
químicas
psíquicas
e dionisíacas
embaladas pela percussão
Fluindo da liquidez da chama faísca divina do tesão

Carol Consalter

*em processo da Antropofrei

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