Qual é a cor

Em traços escorridos me fiz linha. Desenhei linhas curvas sinuosas e tortas. O destino escreve torto por linhas certas. Ou o contrário. Espalho gotas de tinta preta azul e rosa. Misturo todas e confundo. Deixo rastros deixo traços deixo maços. Escassos os maços. Reclamaram de novo, acredita? Meu ser existencial, meu eu superior, deixa de compreender como a força maior não age nos casos pequenos. Ou age. Como milagre. São mil agres. A gente espera. Eu creio no milagre e escolho que prefiro os de baixo. Os que sussurram enquanto durmo. Os que me assustam no meu Estado Crepuscular. Você que fala de primeiras opções, você que esquece de nossas ilusões. Suas cores são rosa púrpura e violeta. Você transcende os raios alfa beta gama e ama. Suas cores quentes acendem e ascendem a minha quentura esquisita. Pareço panela de pressão, prestes a explodir. No entanto, como exímia cozinheira você alivia e deixa que saia esse ar enlatado encrostado preso. Mato. E descanso no seu descaso. Deitados. À luz do que vem pela janela.

Bruno Panhoca

Deixe uma resposta