A menina do coro

E aquele corpo rígido, prontificado,
com rosto ironizado,
a tudo observava.
E tudo engolia.
E o sangue pulsava,
saliva escorria,
o gozo fluía.
A foto e a foda.
A cidade gemia e ria.
Depois tremia.
E, assim, ela ia,
a puta, a bicha, eu ia.
Sangrando, sorria.
E nada interrompia.
E voltava, cantava,
andava.
Sentiu a água correr
e aquecer, evaporar.
Sentiu a energia pulsar
dentro do peito, da barriga,
da vagina.
E ela soube
que aquele corpo rígido,
prontificado,
com o rosto ironizado,
que a tudo observava,
seria leve como a garoa,
fluido como um rio,
E enquanto o suor escorria,
ela sentiu: arrepio.

Caroline Lopes

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