Roda baiana

Roda que roda baiana, nessa música bonita que finge que sabe da aflição que proporciona um punhado de cacos de vidro com gotas de sangue. Pisa que pisa menina, nesse chão de terra batida vermelho-roxa com passos marcados e amores largados. Esquece do par e já pega noutro já dá duas voltas e chama pra dançar (não se envergonhe) (não queira que os outros pensem algo). Tu que és bonita como todas as outras foi feita pra isso. Não tenha vergonhas das suas façanhas. São essas as coisas que te deixam mais reluzente quando sorri. Desembaraça a tua condição aflita e dê um beijo naquele que te chama a atenção. Afasta o mau agouro e o homem de bota de couro. Ele mal sabe do que virá amanhã. Toma dois tiros nas costas e xingam de filho da puta porque achou que sabia demais. Menina tu que pensas que a vida é básica saibas que é mesmo. Não importas o que esses falastrões dizem. A tua dança é linda! Teu cheiro de suor é maravilhoso! Tua concordância é assentida com a minha erroneidade. Não sejamos idôneos, menina, é de ti que eles esperam a maleficência que proporciona mais alegrias, mais choros e mais vitórias combinadas com derrotas. Rasga esses girassóis presos em quadros e joga eles no mundo; tatua teus braços com essas pétalas. Chuta o balde, chuta o pau da barraca, chuta o pau. Faz aquilo que te dá gosto de viver. Aquilo que te brilha os olhos e me relembra o quão gostoso é estar na terra de ninguém que é esse chão de terra batida às duas da manhã mal acordada adormecida com cheiro de orgasmo.

Bruno Panhoca

 

Deixe uma resposta