Quem dera

Hoje eu saí de casa e deixei meus sapatos. Não calcei qualquer chinelo, pantufa ou meia. Fui com meus pés completamente descalços. Quis sentir aquilo que dizem ser a vida. Vesti uma camiseta de mangas longas e uma calça, pra não ir completamente despido. Deixei brincos, pulseiras, óculos e mentiras. Deixei tudo. Fui quase tão nu quanto vim ao mundo. Quase. Quem dera por um descuido você assim me visse. Quem dera por um minuto eu tivesse a chance de fazer você saber que minha nudez é tua. Ah… Quem dera! Reclamo sempre do “e se…” mas sempre esqueço do “quem dera”. Gosto de pensar que tudo é incerto até que seja certo. Essa frase que parece vir de uma criança de cinco anos me encanta, com a sua pureza e visibilidade. Não acredito no acaso, até que ele aconteça. Não acredito em astros, até que eles me provem algo. Não acredito em destino, até que ele se apresente. Não acredito em nada, até que você apareça.

Bruno Panhoca

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