Intragável

Ando, calmo. Ando calmo. E calmo, ando. Pelas ruas afastadas de uma civilização póstuma. Que disseram deixar de existir há poucos momentos. Tomados por certa vontade de inovar. De recriar aquilo que diziam ser o passado. Ando no meio daqueles que me julgam e me libertam. Que me proporcionam o mais certo dos futuros incertos, e me apoiam nas incertezas que me levarão aos caminhos menos trilhados por aqueles que sabem das coisas. Aqueles caminhos inexplorados, vastos (como o meu coração), pouco entendidos. Apoiam-me e, não por falta de vontade, me deixam só. E sigo só. E vou só. E conto das experiências orgulhosas batendo no peito dizendo que sou mais. Sem saber que – não sei se por ingenuidade ou ignorância – eles sabiam a todo instante que eu voltaria. Poucos me contaram a verdade, poucos me disseram que os caminhos trilhados pelos inocentes são aqueles que os experientes trilham e conhecem. São aqueles que os oportunistas tomam e dizem que não conhecem. São aqueles que o trago megero de um cigarro podre levam. Poucos me disseram a verdade, que o caminho certo a trilhar era aquele e não este “vá pela sombra” os hipócritas disseram como num brado retumbante. “Cuidado” os tão-sabidos falaram. Não acredito mais neles e em suas falácias e em seus sofismas e em suas vitórias derrotadas. Acredito nas poucas coisas que me disseram ontem: que o caminho certo a trilhar é este, não aquele. Basta duas cervejas de teor alcoólico baixo. Basta dois cachorros engarrafados. Basta duas reflexões pensadas na beira da cama. E vejo. Que o pouco que sei. É muito. Perto da intragabilidade vivenciada nos escombros da derrota.

Bruno Panhoca

 

Deixe uma resposta