O estranho aparato de sr. grid- parte 5

No dia seguinte, às seis horas da manhã, estava Nelson Grid em frente ao prédio do jornal A Página Diária, o mais famoso da cidade. O primeiro a entrar pela porta que acabara de abrir era o editor-chefe, e era exatamente ele que Grid buscava. Abordou-o calmamente, se apresentou e pediu-lhe que lançasse uma notícia sobre seu recém achado no jornal do dia seguinte. Desnecessário dizer que a princípio foi levado como uma brincadeira, mas apos uma demonstração o editor pôs-se rapidamente a trabalhar na notícia. “Esfera Mágica concede desejos a quem a possui”, dizia a manchete na primeira página, e logo abaixo, a notícia sobre o aparato verde brilhante que fora encontrada por um velho que caminhava tranquilamente.
   Logo a Rua Dr. Ariovaldo já não era mais tão pacata como sempre foi. A cada dia, dezenas, centenas e milhares de visitantes curiosos apareciam para conhecer o homem que detinha o poder da esfera dos desejos. Alguns até se diziam amigos de longa data, ou parentes distantes dele. E Grid conseguia ver uma grande oportunidade se abrindo diante de seus olhos. Saía à sua sacada, sempre que via a comoção dos visitantes, e pedia que fizessem uma fila. Apesar do caos que se gerava sobre quem seria o primeiro, a organização se fazia possível.
   Dirigiu-se, então, ao primeiro homem da fila e lhe ofereceu um desejo. Disse a ele que tudo o que precisaria fazer era repousar sua mão sobre o objeto mágico por um minuto e poderia fazê-lo. Mentia. Grid já estudara suas propriedades anteriormente. Sabia que apenas cinco segundos seriam o suficiente para isso, mas claramente adoraria que a esfera pudesse absorver mais energia para usá-la a seu bel-prazer.
     Os dias se passavam, o processo se repetia, e era adquirida cada vez mais energia alheia. Dado tempo o suficiente, a simples casa do antigo ancião transformava-se em um grande palácio medieval, ornamentada com grandes esculturas de ouro e protegida por aqueles que se puseram ao serviço em troca de periódicos usos da grandiosa esfera dos desejos.
    E o Sr. Grid desfrutava de tudo o que pudera adquirir neste meio tempo, e principalmente de ter toda uma população sob seu poder, que o venerava. Não saía mais de seu castelo, é claro, poderia ser furtado em sua ausência. Trancava-se em seu quarto, segurando seu bem mais precioso. Logo ficou pálido, com os olhos danificados, -por estarem sempre expostos à mesma fonte de luz ofuscante: o brilho da esfera-, e extremamente raquítico, dado que mal conseguia se concentrar para comer.
   Só saía quando se sentia a necessidade de adquirir mais energia. Até que, depois de alguns meses, sentiu vontade de sair por um outro motivo. Seu guarda o chamara: e pedira para avisar que um homem chamado Adam gostaria de visitá-lo.

Igor Fialkovits

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