Água fervente

Água fervente caiu em sua perna. Esqueceu do atraso, da fome e do cansaço. Se concentrou na dor que escorria pela carne já avermelhada.

Água fervente casou em seu corpo. Casou com o cigarro apagado no antebraço e com a marca do fogão onde esbarrou. Na marcha nupcial se ouvia o pedido de perdão de quem lhe servia o chá.

Água fervente passou por sua calça sintética. Na outra perna ainda tinha o furo que um baseado tinha feito num abraço desajeitado. O remendo malfeito parecia acompanhar o caminho da gota que escorria, com o olhar.

Água fervente caiu em sua perna. Na dor baseou uma conversa, um conto e uma distração para acompanhar o chá.

Vitória Fava

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