O estranho aparato de sr. grid- parte 2

De volta a sua casa, o homem fitava a esfera rutilante incessantemente. Não sabia sua origem, o material de sua confecção, sua finalidade exata… mas sabia sobre sua capacidade. E mal podia esperar para testá-la. Posicionou sua mão sobre sua superfície, fechou seus olhos, e começou a pensar em tudo o que lhe agradaria naquele momento. A princípio, um desejo simples: uma xícara de café. Instantaneamente, uma aparecia ao seu lado, com café de excelente qualidade!

Começou então a redecorar seu quarto: uma televisão de alta definição, um colchão mais confortável para sua cama, novas roupas em seu armário, um computador de última geração! E presto, tudo surgia, devidamente posicionado de acordo com a vontade daquele que fazia os desejos! Ria sozinho, tamanha era a felicidade de obter tudo o que queria tão repentinamente.

E não se limitou a bens comuns, pôs-se logo a imaginar tudo aquilo que não passaria de sonhos para homens comuns: uma estátua de si mesmo talhada em prata, tapetes confeccionados de tecidos raros, vinhos importados e envelhecidos! Sua pequena casa, antes simplória, agora se assemelhava a um grandioso palácio, digno de um rei de uma potente nação.

Já não conseguia mais pensar em o que poderia querer além do que já tinha obtido, mas o homem ainda se esforçava para fazer mais requisitos à misteriosa esfera que lhe foi entregue pelos céus. Desejava qualquer coisa, por mais frívola que fosse, desde clipes de papel até livros técnicos de diversas áreas do conhecimento.

Insistia em imaginar mais objetos que pudesse adquirir, até que começou a sentir tontura. E esta fortificava-se, escurecia sua visão, diminuía sua frequência cardíaca e causava uma forte dor de cabeça. Grid largou a esfera, caminhou cego em busca de seu telefone, para pedir ajuda, mas fracassou após alguns passos. Caiu ao chão, e lá quedou-se inconsciente.

Igor Fialkovits

Deixe uma resposta