O ESTRANHO APARATO DE SR. GRID- PARTE 1

Era pouco mais de meia-noite quando caminhava pela rua Dr. Ariovaldo uma singular figura, alta, de olhos azuis e cabelos grisalhos, assobiando alegremente uma bela melodia. Era Sr. Grid. Um homem bondoso, lépido, na maioria do tempo… enfim, de energia invejável. Regressava, ligeiramente inebriado, de uma pequena festa com velhos amigos, dispensado de quaisquer preocupações ou infortúnios. Uma pena que este momento estivesse prestes a ser interrompido.

Estava a poucos metros de sua casa, quando, de súbito, ouviu um alarmante estrondo, junto a um vislumbre de forte coloração esmeralda. Poderia tê-lo ignorado, adentrado sua casa e encerrado a noite de forma serena. Mas a curiosidade foi sempre um péssimo hábito de Grid. Tomado pela beleza de um brilho que se atenuava gradativamente em meio a fumaça levantada por um forte impacto, seguia a esmo sua emanação, em busca incessante por sua fonte. Ao encontrá-la, pasmava.

Era uma visão demasiadamente peculiar, de fato: uma esfera verde caída do céu, inerte ao chão. De onde viera? Quem a arremessara? Por que caíra lá? Tantas perguntas, nenhuma resposta. Entretanto, isso não parecia incomodar Grid tanto quanto deveria. Não, não incomodava, o leve brilho da esfera conduzia sua concentração somente a sua beleza, seu esplendor. Agarrou-a, de imediato, e pôs-se a admirá-la.

Seu deleite, contudo, foi interrompido por um ruído vindo de algum lugar próximo ao que estava. Assustou-se. Poderia ser um assassino, um doente a solta! O medo o paralisava. Segurava a esfera fortemente, olhava para os lados, desesperado, e desejava, mais do que tudo, que tivesse uma arma para que pudesse se proteger. Para sua surpresa, no exato momento em que teve este pensamento, surgiu, em sua mão livre, um revólver calibre 22, novo em folha, completamente carregado.

O barulho? Talvez um animal que corresse pelas redondezas, ou um galho que caíra de uma árvore. Não o incomodou mais, então sua importância era nula. O importante era o fenómeno que acabara de acontecer diante de seus olhos. E Grid sabia que aquela esfera tinha algo a ver com ele.

Igor Fialkovits

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