das visões pouco exploradas de uma criança

enquanto vejo
essas pessoas tão grandes
andando por essas ruas
nesses carros tão enormes
ele senta do meu lado
e olha pro nada
não sei o que pensa
não sei decifrar sua mirada tensa
não sei dizer em versos prolixos o que vejo
consigo usar palavras simples
de poucas sílabas e entonação descomplicada
consigo ver que ele tem medo
mas não quer que eu saiba
ele quer que eu continue sentado e que não me importe
ele quer que eu não sofra nada, nem um pequeno corte
para que eu não me machuque
ele quer me proteger
por isso só continuo aqui
olhando essas pessoas tão grandes
andando por essas ruas
nesses carros tão enormes
que cospem fumaça e parecem dragões
enquanto tomo meu guaraná
e esqueço que nem sei o que é Paraná

Bruno Panhoca

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