O vendedor de petecas

O vendedor de peteca era velho e aparentemente sujo.
Deixava as petecas em uma linha reta, na frente do canteiro onde ele mesmo ficava sentado na grama esperando os compradores.
Ele mesmo parecia uma peteca. Usava um gorro enorme e redondo e roupas coloridas e encardidas, como as penas do brinquedo.
As pessoas passavam como se ele não existisse, assim como faziam com os hippies que vendiam outros cacarecos, mas não tiravam os olhos de seus movimentos quando ele andava em sua direção, pegando o lixo que essas pessoas jogavam no chão para não sujarem sua casa: a rua.
Não gostavam dele e ele sabia, mas não era ele o invasor.
Não se importava de sair de seu posto por motivos importantes, por isso ia várias vezes brincar com qualquer criança disposta a interagir, ou atravessava a avenida para assistir à apresentação de algum músico de rua que precisasse de público, mas, no final, não importa quem visse essas e outras coisas que ele valorizava mais que seus poucos ganhos, ele continuaria sendo um vadio. Apenas um vendedor de peteca.

Vitória Fava

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