Sentia as unhas cumpridas passeando por seus cabelos. Calmamente, aquele carinho embalava-lhe o sono. Não queria dormir, apenas sentir aquele toque, lembrar da sensação que toda aquela doçura lhe causava.
Sabia que ela não faria nada além daquilo. Sabia que, se não fizesse nada, nunca saberia o que estava acontecendo. Aquele jeito que ficava calma em seus braços era estranho, era novo, era algo mais. Ela tinha certeza disso e aquele parecia o momento para perguntar.
O carinho fez um caminho até o braço descoberto e parou para puxá-la para mais perto, quase que sem força, antes de passar para a cintura coberta pela saia azul.
Toda a coragem de perguntar o que era tudo aquilo se foi. E se sua suspeita fosse só coisa da sua cabeça? E se ela se afastasse? E se elas se perdessem?
Não suportaria. Resolveu não fazer nada. Talvez tenha perdido algo muito bom, mas ela não sairia do seu lado tão cedo.

Vitória Fava

Deixe uma resposta