Quando dizem que Deus é amor, eu me pergunto de que deus estão falando.

Que amor é esse que me joga nas ruas como um pedaço de carne? Que punição eu mereço se ele criou a regra e meu pecado? Fácil dizer que o errado sou eu, quando nem mesmo quem eu ofendo parece se importar.

Pensei em acreditar que deus estava morto, mas não acredito que ele sequer descansaria tendo criado um inferno para tantas pessoas.

Me disseram que eu era o meu próprio deus. Seguindo o que me foi ensinado sobre deus, ele tudo sabe, tudo vê e tudo pode. Eu não consigo sequer andar na rua sendo respeitado pelos homens que queriam me foder, e não se deixam admitir, me xingando. Como um deus a mim mesmo, sou tão inexistente quanto é o mar ao céu.

Parei de acreditar nesse deus. Se ele existe, foi com uma crueldade sociopata que tudo foi organizado. Foi ele quem inventou o pecado e a crença do inferno; seus caçadores e suas prezas. Foi ele quem colocou todo esse conflito que não conseguimos resolver e colocamo-os para fora, para cima de alguém.

Por fim, entendi que, numa tentativa de explicar essa forma de deus agir para conosco, a televisão nos faz deuses. Olhando o que interessa e justificando nossa apatia com a distância de uma tela.

Quando está apagado, o céu reflete a mesma luz que uma televisão desligada.

Vitória Fava

Deixe uma resposta