Caboclando (27/12/14, 1:25)

“Somos fechados”
A noite o caboclo caminha lentamente pela baixa Augusta
Os estacionamentos vendem bebida alcoolica
Os postos de gasolina, tochas
As farmácias, cigarros

A noite tudo está irregular
O caboclo não queria estar ali
Ele nem sabe por que foi
Ele só queria estar a 45 minutos dali
Mas não queriam ele lá

Lá seus ideais mortos vivem
Tudo o que é mono é quebrado
A vida resume-se ao tropicalismo
Ao prazer de estar ali e de viver

O caboclo sente-se sozinho
Seu olhar apaixonado o deixa invisível
Ninguém quer o caboclo, nem ele mesmo o quer
Tudo o que lhe resta é a solidão

Seus cinco minutos de fama
Começam e terminam quando o caboclo
Desiste dele mesmo
Todos o olham deitado no asfalto

Foi o único caboclo entre todos
Que assumiu as consequências do amor
Da desordem e do caos
Os outros caboclos voltam a dançar

Rafael Abrahão

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