Nunca fui um grande fã de vésperas, até que te conheci.

Notei que o dia que antecede o “dia” é tão importante quanto. Vi que o gosto da espera é azedo, aquele azedo gostoso de chiclete de infância que você come, faz careta e dá risada. Eu notei que o dia de ontem (a véspera) é que dá o gosto da ansiedade do dia chegar. É quando você dorme – ou não – pensando no dia que vai amanhecer.

Nesse exato momento, duas da manhã, vivo duas vésperas. Uma, oficialmente, outra, extraoficialmente, pois ainda que o dia já tenha acabado, ainda não foi dormir (apenas acredito no amanhã depois do sono). A extraoficial, se assim me permitem dizer, é de um dia importantíssimo, creio que tenha tamanha relevância quanto a oficial. Deixarei para a mente fértil dos leitores quais são tais vésperas.

Acerca da extraoficial, creio que o dia 23 foi de grandes expectativas, e esperei impacientemente o relógio indicar meia noite. No entanto, foi uma impaciência leve e gostosa; azeda. Eu aguardei pois sabia que quando desse o determinado horário eu ficaria mais feliz do que já estava. A véspera desse dia 24 foi tão importante quanto a data em si, pude relembrar momentos e ver como o tempo voa, frase clássica de fim de ano (ainda que eu não tenha a usado nesse exato contexto), pude ver você e tudo que passamos com um esforço do pensamento; as reflexões pré datas importantes me deixam paralisados, eu amo, só não tanto quanto amo você. Você se tornou algo tão fundamental em mim, que transformou uma simples coisa, vésperas, em algo imensurável.

Por isso, eu nunca fui um grande fã de vésperas, até que te conheci.

Bruno Panhoca

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