As árvores andam depressa
e depressa andam os prédios
Enquanto ao longe me espera
porquanto eu venho de longe.

Mas… Um minuto…

Estou parado, sentado,
escrevendo nas pernas cruzadas,
entediadas que a esperam vir,
Não o contrário!

São Paulo empurra
os 400 quilómetros
Itápolis me atrai
Por todos os pedágios
Fazendo com que a terra gire
As árvores e os prédios corram
Velozes e borrados, lá fora
na distância que separa
Tudo anda parado
e parado tudo anda…

Onde fico eu?
Onde estão meus sonhos?
Ficaram em Campinas
ou os esqueci em cima da mesa?

Nessa viagem
Só não anda o tempo
– Congelado –
Que espera-me chegar
Para tirar seu atraso,
Correr como nunca
Rejeitando quando rogo para que pare
pra parar só quando quero que corra.

Quando saudoso
Já de trouxa feita e
Bilhete de volta na mão,
Percebe então o seu cansaço
e congela seus ponteiros indefinidamente;

Indefinidamente dorme de novo
na poltrona ao lado da Empresa Cruz,
Outros 400 quilômetros
Em sono profundo
pras pernas entediadas
pra sonhos saudosos
De uma próxima vez
De uma outra Itápolis.

Jorge Augusto

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