Eu não quero e não sou um totem de madeira maciça oca talhada.

Ninguém continua o mesmo
Parado, imóvel, estático.
Nem mesmo carregando para sempre
Sorriso triste e simpático.

Dura foi minha carne nodosa
Depois do tanto calejar
Minha essência continua gasosa
De hora em hora vem transpirar.

Os outros vivem os dias
Eu também sei que vivo
Procuro nas dores antigas
Cortar os ramos de urtiga que não mais cultivo.

Hoje sei que viver na graça
Faz de um adjacente mim também feliz
Não na volta do mundo, e sim próximo ao rim
É onde meu umbigo se faz matriz

A vida é um bem precioso demais para atores de conveniências sociais.
Onde quem ganha somente são aqueles que continuam com suas próprias leis.
Domini, Deus, Nature, Física.

Arranca desse teu mau humor um pouco de felicidade.
Arranca dos outros sorrisos sinceros.
Arranca essa roupa e para de se insinuar.
Arranca desse peito uma gargalhada sincera.
Arranca de si o passado passado.

Leandro Mello Barba

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