Depois do espetáculo (29/10/14, 22:13)

Me colocaram na frente do espelho
Mas nao vi nada além
Apenas o reflexo
De uma alma caída e embriagadamente sóbria
Não chego aos pés de meus companheiros
Tentarei chegar as unhas da moldura

No mesmo lugar estou
Novamente
Com almas tão concretamente vazias quanto a minha
Nem a cerveja quente
Queimando meu fígado me destrai mais
A fumaça do câncer me atrai
Mas não me alivia

Shu shu shu shu
Shi shi shi shi
Shu shi shi shu
Me
Medi
Medita
A ação

Remédios fólicos
300 comprimidos por dia para me puxar de volta
De volta a um suicidio
Ou um assassinato envolvendo mentores e crianças
Totalmente voluntário

Entrego-me a tentação dos trincos concavos
Lembro-me de minha mãe
De meus amigos
Da alma esfacelada de meu pai
Que nem existe mais
Existe, mas a ausência permite que eu o mate
De uma forma miojinhamica

O chantillly doce queima minha garganta
Sou dos perdidos
Pego no nilon invisivel
Perco-o rapidamente

Carolina Carolina Carol Caracol
Anda na areia
Na cortiça esfacelada
Dos rituais Dionisíacos resta-me apenas o ritual botelístico
Jogo cachaça em mim mesmo
A cana me adoça
Mas apenas por fora

Sou reprimido diariamente
Como os espaguetes são quebrados por ela
Ela…. Luisa!
Serpentina!
Carol… Carolina!!!!

As bitucas formam um buraco negro dentro do meu universozinho
Sozinho…
Sozinho agarro-me na tentaçao
Que me agarra
Escarra na minha cara
Funde-se no meu estômago
Torna-me um nojento
Tanto quanto o invísivel

Sou invísivel aos meus companheiros
Invisível aos meus sonhos
As minhas ambições
As vozes
Menos deste espelho
Que faz questão que eu me enxergue normalmente por fora
Para ver o nojo interno que descarrego em todos
Em forma de choque
Dor e esperma

Rafael Abrahão

1 Comment

Deixe uma resposta