Uma Odisséia Literária

Ah, a alma do poeta
Tão instável quanto permite o clima,
Tão dinâmica quanto exige a cidade,
Tão impura quanto deseja a terrena carne.

Nela crescem mil pecados, mil defeitos,
Pequenos nódulos, como tumores incuráveis
Que eternamente se propagam,
Até o dia do grande final.

Sim, o poeta morre jovem,
Pois com a juventude morre a poesia,
Juventude calcificada cancerígena
Que o poeta abusa e esgota sem pudor.

E como vale, como vale a pena,
Já que a alma não é pequena
E o espaço existe para ser contemplado.

A contemplação é do poeta a plenitude
E olhamos para as estrelas querendo sentir.
Sentir, sentir e mais nada.

O poeta procura a poesia
O poeta inventa a beleza
E com hábil e precisa destreza
Adoça a feiura do mundo.

O poeta vendeu sua alma
Para com demasiada calma
Inverter sua ríspida realidade
De horrenda para estranha beldade.

O poeta não ignora os problemas
Muito menos se esconde do horrível
Apenas criou uma maneira
De amar um mundo invisível.

Nossos versos podem ser duros
Nossa rima pode ser fria
Mas no fundo, o poeta deseja
Apenas viver mais um dia.

Seu corpo pode morrer
Sua literatura, ser esquecida
Mas o poeta nunca se arrependerá
Do que fez por toda sua vida.

E eis a triste beleza
Da vida do livre poeta:
Podemos não conseguir nada
Mas também nunca tivemos meta.

As inconstâncias deste espaço
Refletem as inconstâncias de nossas almas,
Espíritos jovens e indomáveis,
Buscando nas palavras a liberdade.

Mas, as palavras são espinhos,
Quando a alma chora,
Então nossos poemas,
Também derramam lágrimas.

Se acreditas que o poeta escreve com caneta e papel,
Estas enganado,
Escreve com a alma,
Com o coração, com paixão.

Sonhamos muitos sonhos,
Uns impossíveis,
Outros nem tanto,
Mas o que importa,
Desde que ninguém nos impeça,
Estamos bem.

Vivemos em outra realidade,
Em uma maravilhosa odisseia,
Outros mundos,
Tão profundos,
Tão imundos

As estrelas enchem o céu,
Iluminam nossas mentes, nessa noite,
E entre tantas constelações,
Vejo seu rosto.

Não deixe que sua alma,
Se perca no buraco negro,
Somos poetas, livres(?)
Almas voláteis,
Insanas.

Nos perderemos entre mundos desertos.
Conheceremos vilas de sono profundo.
Viajaremos terras de sonhos profanos.
Blasfemaremos contra máquinas e muros.

Nesta noite, ergueremos nossos braços.
Contemplaremos tudo caindo aos poucos.
Veremos os nossos juramentos quebrados.
Lamentaremos pelos erros cometidos.

Acordaremos as crianças nessa noite.
Para que essa plenitude passageira.
Não seja tão veloz a ponto dela.
Passar antes que a alma se esqueça.

O mundo não merece minha tristeza.
Eu finjo ver no fundo dessas poças.
Algum vestígio de razão concreta.
Em meio à lágrimas e paranoia.

Espere um minuto.

O tempo já parou diversas vezes.
Quem sabe o relógio pare de repente.
E me entregue uma flor de despedida.

E antes que seja tarde.
Sorria para as pessoas mortas.
Que sonharam alto como as galáxias.
Mas sentiram que não foi suficiente.

E volte a estar dentro de um casulo.
Finja ver no fim do túnel um anjo.
Ver algo muito próximo da glória.
Ou algo que julgue fazer sentido.

E utilize a palavra encantada.
Que procuras nessa nova odisseia.
Para ver a alma de um poeta.
Surgir entre as estrelas.

Nessa noite.
Estamos numa odisseia literária.

201.

Arthur Bugelli, Christian Frederico, Leonardo Aquino e Vítor

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