Reflexão de uma garota (branca)

A garota se sentou na frente do computador e, curiosa, procurou um tutorial.

Assistiu os vídeos um atrás do outro, fazendo novas e novas amarrações. Depois de um tempo, percebeu que todas as moças e moços dos vídeos eram negros e isso lhe causava um estranhamento.

Ela deveria estar aprendendo aquilo? Não seria apropriação cultural? Ou algum tipo de desrespeito? Ela podia vestir todos aqueles turbantes?

Parou e percebeu que nos programas de TV, sempre tinham mulheres como ela. Percebeu que a maior parte dos tutoriais e propagandas de maquiagem tinham mulheres como ela. Percebeu que, para ser descrita no início de um texto, nunca teve de usar o “branca” como adjetivo.

Ao pisar num terreno negro, ela sentiu a pontinha do que foi, para muitas, crescer sem nunca ver a si mesma num filme de princesa ou na qualidade da mais bela. Ao ver que seu cabelo liso não tinha o volume maravilhoso que os turbantes gostavam de se enrolar, sentiu o que era ter “cabelo ruim”. Entendeu, finalmente, porque os negros sempre lutaram por papéis mais respeitosos em programas de tv. Tudo era a representatividade.

Agora, a palheta “cor-de-pele” ganhou mais alguns tons. Agora, os videos da mulheres negras são vistos por uma garota branca.

Vitória Fava

Deixe uma resposta