Viagem Passada (26/7/14, 1:52)

Acender você
É como estar no horizonte de uma ilha
Um pé na areia
Outro no mar
E a cabeça, no céu

Permito-me entrar na nave
Transcender numa viagem
Com a presença dos pés no líquido e no sólido
Porém, com o gás na cabeça
Que é incontrolável

Isolado, penso em você
Não em você Fernanda ou Luiza
Você, o amor
Nessa viagem vejo como fui do romântico
Ao boêmio com uma facilidade indubitável

Vejo no branco o esquecimento da formação
Do azul e amarelo da infância
Ao cinza do pseudo adulto
Da banalização da felicidade
À rotina da superficialidade

Caço alguém
Que jamais será encontrado enquanto for caçado
Do tudo sou nada
Do nada sou tudo

Nas 7 bilhões de vidas brancas
Tento pintar-me com pinceladas
Algo por cima do cinza
Que um dia foi branco

Partirei do branco da fumaça viajada
À cor do, enfim, concreto adulto
Afinal, não dá para viver no cinza eternamente

Rafael Abrahão

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