História de amor

Pensando em você quis escrever. Imagine um momento em uma rua chuvosa, dessas de filmes de drama britânicos. Não conheço muitos filmes de drama britânicos, mas essa cena me lembra uma cidadezinha inglesa. Não conheço cidadezinhas inglesas, mas você me faz criar uma em minha cabeça de prontidão. Crio prefeito, população e quadra pra crianças brincarem aos domingos. Agora pense que você mora próxima a mim. Ou melhor, pense que namoramos. Ou melhor, pense que estamos juntos nesse exato momento. Na rua chuvosa nos abraçamos. Talvez porque acabei de voltar de uma viagem de dois dias, ou de seis meses, ou até porque fiquei um dia sem te ver e não aguentei de saudade. Discordo de obsessão se dizem, discordo de patologia se afirmam. Talvez um pouco de demonstração exagerada de amor. Talvez apenas amor. E chuva, porque chuva me lembra de você. Como todas coisas também me lembram de você. Desde uma música brega de fim de noite regado à bebida até uma frase bonita. Continuemos então com a rua, onde chove, onde estamos abraçados.

Já te disse como seu cabelo fica lindo molhado? Sussuro em seu ouvido. Fecho os olhos porque nada mais importa ali, além de um simples par de corpos abraçados no frio, na chuva, mas quentes, juntos e plenos. Se é pra ser, que seja pleno, que seja íntegro, e isso vale pra tudo, meu amor, e boas notícias, com você faço isso ser a maior verdade do mundo. Beijo-a. E por que? Porque quero sentir o calor dos seus lábios, quero sentir a sua face colada à minha. E novamente de olhos fechados, porque sinto mais. Então abro meu olhos e a olho. Olho para você de forma que você capte meus sentimentos pelo jeito que te encaro. E vejo o brilho no seu olhar, vejo sua buchecha corar. Vejo você abrir levemente sua boca, vejo seus lábios. Vejo você.

Você é como uma música, a música mais gostosa, mais delicada, mais simples, a melhor música para meus ouvidos. Você é como um quadro, o mais bem feito, o mais recheado, o mais claro e belamente confuso quadro para meus olhos. Você é saborosa como uma colher de nutella. E eu degusto cada pedaço seu, cada sentimento por você, eu os degusto como se fossem a última colher de nutella do mundo todo. Eu sinto você aqui, comigo, somos nós dois juntos. Somos nós. Entrelaçados. Corações amarrados. E se somos nós, somos o mais belo nó, o laço mais bonito feito pela mãe quando a criança vai pela primeira vez pra escola. Somos eu e você. A chuva é um complemento, a cidadezinha inglesa de dramas é outro complemento. O essencial é universal, cabe em qualquer lugar: eu junto de você

Bruno Panhoca

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