Entre o Visível e o Invisível (9/6/14, 11:32)

O garoto de Higienópolis apenas observa
Observa todo o caos existente a sua volta
As mulheres com seus pintchers no colo
Andando seguramente pelas ruas
E tornando invisível a realidade pobre
Que é estupidamente visível

Os homens com todo o seu look
Camisa Calvin Klein, terno Armani, relógio Fossil
Com suas pastas de documentos
E seu cabelo engomado
Constróem um castelo
Em cima de uma caixa de areia

Os idosos que dão milho aos pombos
Sentados num banco do parque Buenos Aires
Ao mesmo tempo que os alimentam, veem as famílias contemporâneas
Que são de toda a forma igual as famílias de seu tempo
Com os mesmos valores, mesmos costumes
Com maior tecnologia e menor idade
Pelo menos, por enquanto

As crianças com os uniformes dos colégios mais caros da cidade
Crianças que acreditam que a água é infinita
Basta abrir a torneira
Vivem num mundo de fantasias
Como se estivessem num livro

Gol! Pelos invisíveis!
Gol! Pela miséria!
Gol! Pela escola pública!
Gol! Pela saúde pública!
Gol! Pelos 9 operários mortos!
Gol…

O garoto observa a tudo
Só não percebe que faz parte desse maquinário
E que o mesmo verme que comerá o invisível
É o mesmo verme que comerá
A mulher, o homem, o idoso, a criança, e a ele mesmo

Rafael Abrahão

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