Melancolia Noturna

Falarei agora sobre imaginações, devaneios talvez: foi como falar com você pela primeira vez, essa ligação. A sua voz me dizendo que estava com sono e eu a impedindo de falar porque só queria te beijar. Dessa vez foi semelhante, sua voz tentando me parar e eu continuei a falar. Eu disse tudo, afinal, após tanto tempo guardando, sabia que nada ia voltar ao normal, qual era o mal? Lembra daquele dia que cuidei de você? E lembra daquele dia que você cuidou de mim? Ah… Tantas lembranças lindas para nós. Tantas histórias lindas de avós. O fim chegou, de um modo errado, claro. Na verdade o fim sempre é errado, não há história que tenha fim certo. Se fosse tão bom não teria fim, mas teve. E eu posso dizer que nosso fim foi pior do que o estereotipo do fim bom (se é que ele existe). Depois de tanto tempo, tanto orgulho preponderado, tanto medo, tanto… Como é que se diz? Ah sim, arrependimento, eu tive coragem. A coragem nasceu dessa combinação de três males dos relacionamentos. Depois de 5 meses, aproximadamente, a coragem subiu, o orgulho sumiu, tudo que é negativo foi embora para uma dimensão inexistente. Restou tudo que há de bom no meu coração. Finalmente falei. Deixo pra você como dica do que sinto “a esperança é a última que morre”, mas não espero nada. Na verdade sim, espero. E agora há a declaração: ouvi um dia de um homem, professor de ética, que a felicidade é o momento que não queremos que acabe. Pois bem, esses últimos minutos, segundo a definição aqui exposta, fui feliz. E fui feliz de uma maneira tão simples… Então agora uso outra definição, de que a felicidade está nas coisas simples, de fato, ouvi tua voz, posso até ter chorado, mas por dentro o que falava mais alto era a felicidade. E foi esse momento, esses minutos ao telefone, que não queria que acabassem, que eu queria que fossem pra sempre. Mas isso, é claro, apenas fruto do meu pensamento.

Bruno Panhoca

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