Woyzeck atemporal (6/2/14, 23:18)

Silêncio,
Tudo está silencioso.
Como se o mundo estivesse morto.
O que cabe num silêncio?

Rugas soltam coisas como:
“Todos nós vamos morrer”.
Pobres e desgastadas rugas!
Pensam tanto na morte,
Que esquecem que estão vivos.

Atribuímos tudo ao capital,
Relógios, bengalas e chapéus.
A lojinha das virtudes,
Afinal, quem não tem dinheiro…

Jogamos o outro diante da moralidade do mundo,
Mas esquecemos que também temos carne e sangue!
E que por debaixo desta carne, somos todos brancos.
Iguais.

Quando se está gelado,
Não se sente mais frio.
O mundo é branco como o inferno,
E eu estou gelado.

Rafael Abrahão

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