Imagino (11/12)

Eu imagino nós dois nos encontrando na frente de minha casa. Vamos para meu quarto. Você elogia o quadro dos Beatles que está pendurado na parede, então senta em minha cama e puxa meu violão. Toca uma canção que fala sobre amor, claro. Eu sento em uma cadeira olhando para o céu através da janela. Naquele momento só quero ouvir sua voz calma e suave. O dia la fora está azul e os pássaros cantam em coro. Volto meu olhar para sua mão formando acordes tão bem feitos que me sinto confortável. Sento ao seu lado.

Você deixa o violão de lado e diz que não quer ficar mais ali, eu concordo e digo para irmos para qualquer lugar. Descemos até a garagem e entramos no carro. Não esqueça do violão. Então saímos pelas ruas. Algumas vezes me distraio ao olhar para o lado e ver você com seu óculos escuro de lente quadrada refletindo a luz do sol. O vento bate no seu cabelo e ele continua perfeito, continua lindo, mais bonito até do que se tivesse penteado. A propósito, amo seu cabelo. Amo-o mais em dois momentos, molhado da chuva e espalhado em meu travesseiro. Você admira as paisagens da tal selva de pedras, grafites nas paredes, prédios cinzas e pessoas solitárias caminhando na rua sem cumprimentar umas as outras. Você acende um cigarro e partilha comigo, abre a janela e solta a fumaça. Eu fico alternando meu olhar entre a rua pelo parabrisa e você olhando para o nada com esperanças. Ligo a rádio que toca nossa música favorita, você move seus lábios de acordo com a letra.

A cidade é igual em todos os cantos, até o momento em que chegamos naquela colina. Lá é tudo diferente, as árvores são mais verdes, os pássaros mais bonitos, o céu mais azul e o sol mais brilhante. Eu paro o carro virado para o mar que se vê no horizonte, tão perto, porém, tão longe. Abrimos as portas do carro e vou até o porta malas, deixo o violão de fora e pego uma garrafa de vinho tinto barato, ligo o som com a música Something dos Beatles. Deitamos em cima do capô e passo meu braço por você, abraço-te. Você me dá um beijo longo com gosto de cigarro e abre a garrafa, toma dois goles e entrega a mim. Eu bebo e sinto em minha garganta um sabor leve e quente, pesado e frio, como seu beijo, os dois possuem a propriedade de me deixar confuso. Após goles, olhares, risos, conversas e sorrisos o vinho chega ao fim. Nossos corpos estão juntos e quentes, nossas mentes, juntas e bêbadas.

O anoitecer chega ao poucos e com ele vêm as estrelas e com elas vem a lua, que por sua vez ilumina nossos rostos apagados na escuridão. Continuamos com a admiração às estrelas. Todas tão próximas e distantes, todas brilhando e piscando, numa orquestra de luzes e constelações mal explicadas. Você diz que está com frio e eu vou até o porta malas pegar um cobertor. Já não prestamos mais atenção nas musicas, então desligo o rádio e pego meu violão. Toco uma musica sobre você e seus olhos. A música diz algo sobre o jeito que você me torna sincero e espontâneo, o jeito que seu sorriso e seus olhares fazem com que eu me renda a tentação de te amar.

Mas isso, meu amor, só imagino.

Bruno Panhoca

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