24 horas (14/4/13)

O garoto pensou duas vezes. Encontrou-se com metade do corpo pra fora da janela, não sabia se queria aquilo. Não faziam nem dois minutos que tinha ouvido toda aquela falação e no fundo pensava, já não aguento mais. Seu ideal era o seguinte, viver e não se importar, mas parecia que essa tal consigna não rendia mais, queria apenas ir para um mundo melhor, ou deixar de existir, nem importava tanto assim. Olhou para baixo, 15 andares não é pouco, viu os carros que passavam. Foi até o banheiro, lavou o rosto e ficou por um minuto admirando-se. Contou até dez e respirou. Pegou um maço de cigarros e encostou novamente na janela. Acende, puxa, traga, pensa. Era realmente assim o fim? Uma tarde de sexta-feira no mês do abril. Para aqueles lá de baixo era um dia normal, para o garoto era o último dia. Há 24 horas encontrava-se no mesmo conflito, porém, deitado em sua cama mirando uma corda presa no teto. Desistiu de se enforcar, achou melhor a ideia de morrer instantâneamente, então prometeu para si mesmo que passadas 24 horas sem nenhuma melhora de relações seu destino estava traçado. Então lá estava ele, nos últimos minutos. Por que havia sido humilhado?. Pensava. A ideia colocada por seus pais era de um viciado, um merda, que nunca seria nada na vida. E o papo de “nós te amamos”? Para ele, o mundo é errado, a vida é errada, a certeza mais certa é a morte, por que não adiar? Assim, acaba-se com o sofrimento de uma vez. Pegou uma caneta e um cartão de natal que estava em sua escrivaninha e escreveu com a letra mais bonita “Esse é meu destino”. Colocou o cartão em sua cama arrumada. Direcionou-se à janela, caminhando. Sentou-se, com todo seu corpo para fora, acendeu o último cigarro no último minuto, fechou os olhos e toda sua vida passou em sua mente como vários flashbacks. Uma só lágrima escorreu e o tempo se esgotou.

*qualquer semelhança é mera coincidência

Bruno Panhoca

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